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Cerrado x Incêndios x Águas

  • Foto do escritor: Etienne Winagraski
    Etienne Winagraski
  • 12 de set. de 2024
  • 4 min de leitura

Por Etienne Winagraski, Rafael Hartmann Gava e Greice Kelly Correa


Dia 11 de setembro foi dia do Cerrado. Segundo maior bioma do país depois da Amazônia brasileira, o Cerrado ocupa cerca de 25% do território nacional). É hotspot de grande diversidade de fauna e flora – várias deles em risco de extinção. Este bioma tem solos pobres, ácidos, com estação seca e chuvosa bem definida. Também é o bioma com menor área protegida e o que mais sofre pressão externa humana. No Paraná temos vários remanescentes de cerrado! Um deles é Parque Estadual do Cerrado (Jaguariaíva – PR).


 Parque Estadual do Cerrado - Jaguariaiva/PR


O Cerrado também é associado a ocorrência de fogo natural, uma vez que algumas plantas só florescem após a ocorrência deles. Várias plantas pertencentes a este ecossistema desenvolveram adaptações que as protegem contra o fogo e seca.  Destas proteções estão a casca grossa no tronco – que age como um isolante térmico -, raízes longas para buscarem água nas camadas mais úmidas em épocas de secas, sementes com tempo de dormência durante períodos mais secos, diminuição da área das folhas para redução de perda de água, além da tolerância de frutos a altas temperaturas para assim, garantir sua propagação.

 

Mapa do Bioma Cerrado. Fonte: http//cerrado.1.png (400×298) (bp.blogspot.com)


Porém nem toda a parte do bioma cerrado é adaptada ao fogo. Dentro do cerrado há várias fitofisionomias, que são ecossistemas diferentes que variam com o ambiente local, como campo limpo, campo sujo de cerrado, campo cerrado, cerrado sensu stricto, cerradão, além de matas de galeria e outros tipos de florestas. Sendo assim, se o fogo atinge estas áreas, temos sérias consequências.

 

Tivemos a notícia da perda de 27% do bioma cerrado nacional em 39 anos, o que é preocupante. 32,4% do total de focos de incêndio do Brasil ocorreram no cerrado neste ano (BDQueimadas, do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A questão é: Se é importante o fogo para este ecossistema, por que tanta discussão sobre incêndios?

 

Há uma relação do fogo com a expansão das fronteiras agrícolas e a proximidade com ocupações humanas. Ou seja, a ação humana está impactando o regime de fogo no cerrado.  É preciso garantir o manejo das queimadas associado à conservação dos territórios.

 

Importante saber a diferença entre queimadas e incêndios, lembrando que:  queimadas são práticas intencionais e controladas de queima da vegetação, enquanto os incêndios são fogos descontrolados que ocorrem de forma acidental ou criminosa. Há leis que adequam esta ação quando o fogo não ocorre de forma natural ( Lei 14.944/2024). Ou seja, há técnicas para realização, necessidade de autorização legal e equipe por trás.

 

O Cerrado desempenha um papel crucial na disponibilidade e conservação da água no Brasil. Conhecido como o "berço das águas", abriga nascentes e áreas de recarga aquífera, essenciais para as principais bacias hidrográficas do país (Paraná, Tocantins-Araguaia e São Francisco). Essas bacias abastecem milhões de brasileiros e alimentam grandes rios de outras regiões da América do Sul.

 

As árvores do cerrado também têm a capacidade tamponar água através das raízes, atuando na manutenção do ciclo hidrico. Ou seja, se não há árvores em cima, também não haverá raízes para tamponar a água no solo. Quando esse excesso de fogo vai além desse regime hidrico habitual e tempo de recuperação há muitas consequências ambientais.


Das consequências são ambientais (perda de área, de fauna, flora, microbiota, perda de capacidade de retenção de gás carbônico pelas raízes, recarregamento da água subterrânea local, alteração do regime hídrico), social (saúde, qualidade de vida, escassez de água) e econômicos (estas alterações alteram a própria produtividade local, micro e macroambientes, aumento de desastres climáticos, além de custos para controle dos incêndios).

 

Além da implementação de políticas públicas que promovam a conscientização, é essencial que tenhamos comprometimento de nossas ações e quanto elas afetam. Hoje sabemos o quanto os incêndios da Amazônia e Cerrado, bem como a fumaça, aliados aos outros fenômenos das mudanças climáticas estão afetando todo o Brasil.



Etienne Winagraski: Engenheira Florestal, Gestora Ambiental. Mestre e Doutora em Engenharia Florestal - Silvicultura.

Rafael Hartmann Gava: Presidente da Rede Nac. de Brigadas Voluntárias; Administrador, Consultor Ambiental, Especialista em Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, Técnico em Segurança do Trabalho, Gestão de OSC e Relações institucionais.

Greice Keli Correa: Bióloga, Mestre em meio Ambiente Urbano e Industrial. Ahorta Consultoria e Conscientização Ambiental.


Klink, C.; Machado, R.B. A conservação do Cerrado brasileiro. Megadiversidade, v. 1, n. 1. 2005.

Ritter, L.M.O.; Ribeiro, M.C.; Moro, R.S. Composição floristica e fitofisionomia de remanescentes disjuntos de Cerrado nos Campos Gerais, PR, Brasil - limite austral do bioma. Biota Neotropica, v.10, n.3, p. 379-414, 2010.

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RODERJAN, C. V.; GALVÃO, F.; KUNIYOSHI, Y. S.; HATSCHBACH, G. G. As unidades fitogeográficas do estado do Paraná. Ciência & Ambiente, Santa Maria-RS, n. 24, p. 75-92, 2002.

 
 
 

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